“Grupo político ou empresarial?”: Caio questiona relação entre transporte coletivo e contratos de asfalto
Vereador rebateu críticas sobre foco na União Transporte, apresentou documentos sobre obras de pavimentação e levantou suspeitas sobre possíveis conexões empresariais em Várzea Grande
O vereador Caio Cordeiro usou a tribuna da Câmara Municipal de Várzea Grande, durante a Sessão Ordinária do dia 09 de junho de 2026, para ampliar o tom das denúncias envolvendo o transporte coletivo no município. Após ser cobrado por colegas sobre o motivo de concentrar sua atuação na empresa União Transporte, Caio respondeu que a crise dos ônibus pode estar ligada a outro problema enfrentado diariamente pela população: os buracos e os contratos de pavimentação asfáltica.
Na fala, o parlamentar apresentou documentos e tabelas sobre valores recebidos por empresa de pavimentação citada por ele como Iambiquara, nome que aparece em registros públicos como Construtora Nhambiquaras. Caio questionou se Várzea Grande enfrenta apenas problemas isolados ou se há um grupo de interesses atuando em diferentes áreas da cidade.
“Nós estamos falando de buraco. Às vezes alguém fala: ‘Vereador, mas por que que o senhor só está se respaldando numa pauta de ônibus?’. Mas quem disse? E a pergunta que eu faço é: nós temos um grupo político ou um grupo empresarial em Várzea Grande?”, questionou.
Em seguida, Caio sugeriu que os colegas e a população pesquisem os dados empresariais relacionados aos contratos apresentados. O vereador levantou a possibilidade de existir relação familiar ou empresarial entre responsáveis por contratos de asfalto e proprietários da União Transporte.
“Aqui ó... essa é a tabela de valores que só uma empresa recebeu: Iambiquara. E aí pesquisa no CNPJ quem é o dono, se tem alguma relação com o proprietário da União Transporte, se são parentes ou algo do tipo, se não está na mesma família”, afirmou.
A fala foi uma resposta direta às críticas de que o vereador estaria tratando apenas da pauta do transporte coletivo. Caio rebateu dizendo que ônibus, ruas esburacadas, contratos de pavimentação e fiscalização do dinheiro público podem fazer parte de uma mesma discussão sobre a cidade.
Para o parlamentar, o problema não é escolher entre falar de ônibus ou falar de buraco. A questão, segundo ele, é entender quem recebe dinheiro público, quais serviços foram entregues e se as empresas contratadas estão cumprindo suas obrigações.
Caio também defendeu que a Câmara avance na discussão sobre uma CPI das Obras, especialmente para apurar contratos de pavimentação e serviços que ainda estariam dentro do prazo de garantia.
“Parabéns aos vereadores que estão propondo a CPI das Obras que envolva os contratos todos, inclusive dos asfaltos que estão em garantia. Isso daqui não é invenção minha, isso daqui são as últimas obras feitas nos últimos cinco anos que estão em garantia. Nós precisamos apurar também”, declarou.
O vereador citou bairros como Mapim, Jardim Alá, Eldorado, Cidade de Deus, Ouro Verde e outras regiões que, segundo ele, teriam recebido obras de pavimentação, mas continuam enfrentando problemas estruturais nas vias. Para Caio, se o asfalto está em garantia, a Prefeitura precisa explicar se acionou formalmente as empresas responsáveis para corrigir eventuais falhas.
“A Prefeitura será que fez o questionamento a essas empresas que fizeram asfalto e o asfalto está em garantia?”, perguntou.
A cobrança atinge diretamente a fiscalização municipal. Segundo Caio, não basta o município continuar realizando tapa-buracos ou novos serviços em vias que receberam obras recentes. Antes disso, é necessário verificar se a empresa contratada ainda tem responsabilidade legal sobre a qualidade do serviço executado.
O parlamentar também chamou atenção para o volume de recursos destinados a obras em períodos eleitorais. Na tribuna, Caio citou os anos de 2016, 2020, 2022 e 2024, todos anos de eleição, e afirmou que os maiores repasses e emendas teriam ocorrido justamente nesses períodos.
“E alguns dos últimos anos aí... que que teve em 2016? É ano o quê? É eleitoral. 2020, ano eleitoral. 2022, ano eleitoral também. 2024, ano eleitoral também. É aonde está o maior ranking do envio de emendas parlamentares”, afirmou.
Caio citou ainda o valor de R$ 68 milhões em 2022 e levantou a hipótese de que a discussão sobre a União Transporte possa se conectar também ao setor de pavimentação.
“Será que a situação da União Transporte não leva no asfalto também? Porque o ranking em primeiro lugar com 68 milhões de reais em 2022 no ano eleitoral... Então assim, são apenas perguntas, é só o que a gente chama de spoiler para a próxima sessão”, disse.
Ao encerrar a fala como “spoiler”, o vereador indicou que deve apresentar novos documentos e questionamentos nas próximas sessões. A sinalização é de que a fiscalização conduzida por Caio pode deixar de mirar apenas a concessão do transporte coletivo e passar a alcançar também contratos de obras, pavimentação, emendas parlamentares e garantias de serviços executados no município.
A declaração aumenta a tensão política na Câmara. De um lado, vereadores cobram que Caio também trate da buraqueira e de outros problemas urbanos. De outro, o parlamentar afirma que justamente ao investigar o transporte começou a encontrar possíveis conexões com contratos de asfalto.
Para Caio, o debate precisa sair do campo das provocações políticas e entrar no campo dos documentos. Segundo ele, é preciso saber quem são os donos das empresas, quais contratos foram firmados, quais valores foram pagos, quais obras estão em garantia e se a Prefeitura cobrou a correção dos serviços.
O vereador reforçou que, por enquanto, está levantando perguntas e defendendo apuração. No entanto, a fala deixou claro que o próximo alvo de fiscalização pode ser bem maior do que a União Transporte.
A pergunta lançada por Caio na tribuna resume a nova linha de investigação que ele pretende aprofundar: Várzea Grande está diante de falhas isoladas no transporte e no asfalto, ou existe um grupo empresarial com influência sobre diferentes serviços públicos da cidade?





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